25-11-2025

Iluminação conectada nas cidades pode reduzir custos de energia até 21% ao ano

É com tecnologia desenvolvida em Portugal que a iluminação na 2ª Circular, em Lisboa, está a tornar-se mais eficiente e menos onerosa para o município. A instalação de luminárias com LED e lentes com melhor índice de restituição cromática tornou possível aumentar a qualidade e ao mesmo tempo reduzir a potência instalada em 67,4%, o que poupa cerca de 81 mil euros na fatura anual. E o software instalado passou a permitir a gestão remota dos pontos de luz, com alertas de funcionamento e planeamento de manutenção no terreno. 

“Tudo isso lhes dá a capacidade de atuar e garantir que os cidadãos tenham uma melhor experiência quando estão nas cidades”, disse ao Dinheiro Vivo Rui Peixe, diretor de desenvolvimento da Schréder Hyperion, que desenvolveu as soluções para a 2ª Circular. A solução assentou na “renovação de todo o parque de iluminação pública numa das vias mais críticas da cidade” com a capacidade de ”medir em tempo real a poupança de energia que a cidade vai fazer com base nisso.”

Segundo as contas da empresa, a média desta redução de custos energéticos com iluminação conectada através da plataforma Schréder Exedra, que é usada na 2ª Circular, é de 21% ao ano. A empresa tem instalações deste tipo por todo o país, desde zonas mais remotas no interior, no Alentejo e em Trás-os-Montes, a zonas turísticas do Algarve e zonas urbanas como Oeiras e Coimbra. 

“O nosso modelo de negócio assenta na ideia da ubiquidade, que para nós é a capacidade de criar uma conexão integrada entre as infraestruturas, os ativos da cidade e os sensores”, explicou o responsável. “Depois nos dados que são gerados através dessa telemetria e a inteligência que conseguimos pôr em cima desses dados, para ter impacto nas pessoas.”

Rui Peixe caracterizou a tecnologia como uma solução de IoT (Internet das Coisas), considerando que esta está a tornar-se algo semelhante à eletricidade: é uma camada “invisível mas omnipresente” que alimenta a cidade. “O nosso modelo assenta muito nessa redução da complexidade. O que nós queremos é tornar o complexo simples.”

Made in Portugal 

Embora parte do grupo belga Schréder, a Schréder Hyperion é uma unidade sediada em Portugal com engenheiros portugueses, uma equipa de cerca de 70 pessoas que criou formas de tornar a iluminação pública inteligente e conectada. “A Schréder Hyperion traz em cima da venda de luminárias a capacidade de vender serviços digitais, tal como seja ter uma plataforma de IoT que permite aos utilizadores e outros operadores que trabalham com as cidades, através de subscrição, aderir a certos serviços onde conseguem ter essa informação”, indicou Rui Peixe. 

O retorno do investimento para os municípios assenta em poupanças de energia e gestão de ativos, já que os sensores têm um cartão SIM da Vodafone que torna as luminárias conectadas. “Nós temos que garantir que existe cobertura até nas vilas mais remotas, baixa latência, segurança, portanto isso são pilares fundamentais para nós e para qualquer infraestrutura de uma cidade que é considerada hoje em dia uma infraestrutura crítica.”

O próximo passo é a massificação de outras soluções baseadas em visão por computador, que é adicionada ao hardware desenhado pela empresa e colocado nas luminárias. “Temos outros casos de uso, não só em Portugal como no mundo inteiro, onde conseguimos ter essa hiperconectividade em várias dimensões”, indicou o responsável. “Temos casos em que a iluminação pública adapta-se automaticamente ao fluxo de pessoas ou veículos.” Há ainda projetos em que a plataforma gera dados ambientais para ajudar as cidades a mitigar zonas críticas de poluição e outros que podem ser utilizados para fazer planeamento de tráfego e de estacionamento. 

Os sensores fazem a contagem e adaptam a iluminação consoante o tráfego de veículos ou o número de pessoas que estão na rua, sendo que os dados são anonimizados. “Conseguimos perceber, por exemplo, que está muito tráfego e por estar muito tráfego a segurança vem primeiro e, portanto, fazemos o aumento da luz a 100%”, descreveu Rui Peixe. “Mas, nos casos em que não houver tanto tráfego, conseguimos reduzir a luz até 50%, que a olho humano não é perceptível mas que já está a poupar energia para as cidades.”

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