A era hiperconectada vai trazer novos negócios, concretizar ideias que não eram possíveis até agora e exigir uma transformação dos processos nas empresas, chamando os líderes empresariais a responsabilidades acrescidas. A evolução vai ser rápida e aqueles que não se digitalizarem para operar neste novo mercado podem ficar para trás – mas há um novo horizonte de oportunidades que passam a estar acessíveis a todo o tipo de empresas.
Estas foram algumas das conclusões tiradas na 7ª edição da Vodafone Business Conference, que decorreu a 27 de novembro no Auditório da Reitoria da Universidade Nova de Lisboa, em Campolide. Dedicada ao tema “Hyper-connected World”, a conferência teve como oradores o futurista australiano Andrew Grill, o responsável pela estratégia IoT da Vodafone Phil Skipper e o advogado e ex-secretário de Estado Adolfo Mesquita Nunes.
“Há um mundo de inovação que está à distância do nosso querer, da nossa capacidade de empreender, mas também da nossa capacidade adaptativa ao mundo em que vivemos”, disse o administrador da Unidade de Negócio Empresarial da Vodafone Portugal, Henrique Fonseca, na abertura da conferência.
“É fundamental trabalharmos juntos”, apelou, falando de “um mundo mais veloz que vai sempre acontecer, aceitemos ou não participar nele.”
A ideia de falar da hiperconectividade – que o futurista Andrew Grill acredita estar a apenas dois a três anos de distância – surgiu no cúmulo dos temas explorados em anos anteriores: IoT, 5G, realidade virtual e aumentada e Inteligência Artificial. “Achámos que este ano era importante mostrar como todos esses temas estão integrados, como são um ecossistema entre eles”, explicou ao Dinheiro Vivo Henrique Fonseca, à margem da conferência. Foi uma forma de olhar para o mundo interligado e como as empresas podem adaptar-se e tirar partido de soluções que trazem serviços e produtos inovadores.
“A tecnologia já existe, já o permite, estará o mundo preparado para isso?”, questionou o administrador. “A verdade é que temos de ser muito mais flexíveis e temos que nos adaptar a uma mudança que é cada vez mais rápida”, continuou. “A velocidade da inovação e das alterações de tecnologia é tal hoje em dia que ficarmos a ver isto a passar ao nosso lado já não é opção.”
O desafio, considerou o executivo, é mostrar às empresas portuguesas que o acesso a estas tecnologias não está reservado apenas às grandes organizações. É um aspeto importante, tendo em conta que mais de 90% do tecido empresarial português se compõe por pequenas e médias empresas (PME).
“Esse é um desafio que nós temos, conseguir falar com as pessoas certas nas organizações para lhes mostrar que as vantagens destas tecnologias estão democratizadas e podem ser utilizadas por todos os tipos de empresas”, referiu Henrique Fonseca. O administrador já tinha apontado, na sua apresentação, que a hiperconectividade não pode ser considerada um luxo nem estar acessível apenas a uma parte das organizações.
Mas isso requer uma atualização dos estilos de liderança e é um segundo desafio para as fornecedoras que trabalham no mercado português. É que “as empresas em Portugal são pouco ousadas”, apontou Fonseca.
“Temos que mostrar às empresas que estão capacitadas para fazer estes investimentos e alterar a forma como trabalham”, indicou. O responsável também alertou para o risco de olhar para a tecnologia como um fim em si mesmo.
“Se uma empresa tem um processo de trabalho que não é eficiente e o decide digitalizar tal qual ele é, posso-lhe garantir que não vai correr bem”, salientou. “É importante as empresas terem esta vontade em fazer.” Ciente de que as coisas não mudam de um dia para o outro, o administrador frisou a importância dos testes e das provas de conceito, que conseguem mostrar como é que a tecnologia torna os processos mais eficientes.
“É preciso mais abertura”, defendeu. “Nós vimos dos navegantes e descobridores. O nosso ADN é um ADN ousado”, sublinhou. “Não podemos parar, temos grandes empresários em Portugal, temos grandes empresas que conquistaram Portugal, a Europa e o mundo e portanto temos muito bons exemplos a seguir.”












