Quais são as coisas que, tanto as pessoas como as empresas, devem ter mais atenção para o futuro hiperconectado?
Em primeiro lugar, que a hiperconexão é o traço dos dias de hoje e qualquer negócio tem de presumir que todos nós estamos conectados se quer interagir e falar connosco. Isso traz um mar enorme de oportunidades, mas também traz a necessidade de termos parceiros tecnológicos de confiança, seja porque a rede tem que ser fiável, seja porque os sistemas são bons, porque a responsabilidade que estamos a passar para eles é cada vez maior.
É por isso que temos de agarrar todas estas oportunidades e mitigar os riscos escolhendo parceiros que são de confiança e são capazes de nos oferecer bons produtos, bons serviços e boa conexão.
E depois, o desafio que qualquer líder hoje tem no meio de tanta oferta tecnológica é ter a certeza que escolhe aquela que cria valor, aquela que pode fazer a diferença na sua organização.
Quais são os desafios éticos que será preciso ter em conta no futuro, principalmente no que referiu dos algoritmos que podem tomar decisões sem a mesma transparência do passado?
Os nossos desafios éticos são os mesmos desde que nascemos. Continuamos a ter os mesmos valores. Aquilo que pode ser agora novo é como é que nos adaptamos, como é que aplicamos esses princípios a sistemas que ainda não conhecemos bem porque são novos e para os quais estamos a passar cada vez mais decisões sem perceber muito bem como é que funcionam. Os princípios são os mesmos: a justiça, a equidade, a ética, o cuidado com o outro, e que os sistemas que vamos introduzir garantem que as decisões respeitam os nossos valores éticos.
Não é a tecnologia que coloca em causa esses valores, é o nosso descuido de achar que é uma máquina e não preciso de tê-los em conta. É preciso tê-los em conta tanto hoje como nas últimas décadas foi necessário.
Que riscos as pessoas podem evitar neste momento?
Fazer escolhas informadas. Para quem vai aderir à Inteligência Artificial, saber no que é que ela cria valor, pensar nas suas oportunidades acautelando os seus riscos como qualquer outra atividade. E devem tentar perceber qual é a dose de automatismo, de sistemas de Inteligência Artificial que querem ter nas suas vidas.
Agora, hiperconectados estaremos todos, uns mais outros menos, e não é possível pensar em modelos de negócio que não tenham em conta esta circunstância.
Não haverá forma de as empresas não aproveitarem esta nova era? É apenas uma decisão de como fazê-lo?
Não vejo uma sociedade que não esteja hiperconectada e que essa não seja a nossa condição natural, é como respirar. Se as empresas querem interagir connosco, querem a nossa atenção, vão necessariamente ter que trabalhar nessa presunção. É por isso que é muito importante que se tenha em conta que estamos todos conectados e isso traz todas essas oportunidades de negócio e que melhoram muito as nossas vidas. Falámos aqui de vários exemplos na área da saúde, mobilidade, infraestruturas, manutenção, em que a tecnologia está ao serviço de um mundo melhor.
Isso é também verdade em Portugal?
Este é um processo que todos os países estão a fazer com a urgência de quem vê imensas oportunidades mas de quem conhece ainda pouco, porque objetivamente conhecemos ainda pouco. Foi uma espécie de reset, no sentido em que nos colocou a todos, de alguma forma, na casa de partida para este novo mundo. Não há motivo nenhum para que empresas portuguesas não estejam na fronteira e sejam pioneiras em muitas das áreas em que a Inteligência Artificial poderá fazer a diferença.
A Europa tem avançado com regulação IA de forma diferente da China e Estados Unidos. Acredita que haverá homogeneidade regulatória?
A China e os Estados Unidos também têm instrumentos legislativos relativos à Inteligência Artificial. As várias ordens jurídicas estão a tentar perceber qual é a melhor forma de regular algo que é evidente que carece de ser regulado. Não há ainda uma fórmula certa. Teremos de dar tempo ao tempo para saber qual delas se revelou mais adequada.
O que é que os líderes empresariais portugueses devem fazer para tirar partido da hiperconectividade?
Serem líderes. Serem eles que, com a tecnologia, fazem as opções e escolhem os caminhos. Liderança humana é o mais importante num mundo cada vez mais tecnológico, aproveitando a tecnologia mas mantendo essa capacidade de ser líder.












