08-11-2025

Hiperconectividade tem “impacto direto” na qualidade dos serviços prestados na saúde

A convergência das tecnologias fundamentais para a hiperconectividade – 5G, IoT, Inteligência Artificial e computação na nuvem – criou condições para a Saúde 5.0, uma era em que os cuidados de saúde são mais personalizados e humanizados. Esta transformação está a ver-se também em Portugal, com vários exemplos de digitalização, automação de processos, uso de realidade aumentada e monitorização remota com benefícios virados para os pacientes. 

“Vivemos num mundo hiperconectado, onde pessoas, sistemas e dispositivos comunicam em tempo real. No sector da saúde, esta conectividade tem um impacto direto na forma como se gere a informação e na qualidade dos cuidados prestados”, disse ao Dinheiro Vivo Daniel Alves, diretor de marca da Papiro, uma empresa de gestão documental que tem implementado várias soluções em unidades de saúde. 

“Com o 5G, a cloud e a inteligência artificial, tornou-se possível integrar dados clínicos, apoiar decisões médicas e otimizar fluxos administrativos”, descreveu o responsável, citando um estudo da Netsonda segundo o qual dois terços dos portugueses acreditam que a IA vai reduzir os tempos de espera e tornar os serviços de saúde mais eficientes. 

A experiência de digitalização de três Unidades Locais de Saúde (ULS) foi o tema central de um evento que decorreu em Lisboa no final de outubro, dedicado precisamente aos fundamentos da Saúde 5.0. A ULS de São João apresentou a estratégia de desmaterialização e preservação de processos clínicos, com acesso rápido e seguro à informação. A ULS de Almada-Seixal descreveu a experiência de digitalização do arquivo clínico, o que reduziu os de tempos de resposta e tem melhorado a coordenação entre equipas. E a ULS do Arco Ribeirinho mostrou como a automação dos processos de recursos humanos está a simplificar os fluxos administrativos e a reforçar a eficiência operacional, colocando o cidadão no centro do sistema. 

“Portugal está a dar passos sólidos na digitalização da saúde”, afirmou Daniel Alves. “Existem hospitais e unidades que já operam com processos quase totalmente digitais, desde o arquivo clínico eletrónico até à gestão automatizada de fluxos documentais.”

A Papiro, que pertence ao grupo EAD, tem participado em vários projetos desta natureza, incluindo a digitalização de processos clínicos e desmaterialização de processos de recursos humanos. 

“Esta experiência permite-nos afirmar que Portugal está na linha da frente europeia, não apenas em inovação tecnológica, mas na capacidade de combinar robustez documental com transformação digital, assegurando que a saúde digital é também uma saúde de confiança”, considerou Daniel Alves. 

Estas mudanças são positivas para a qualidade do atendimento, segundo a sua perspetiva. "O principal beneficiário da transformação digital é o paciente. Ele é, e deve continuar a ser, o centro de tudo", frisou. "A digitalização e a hiperconectividade permitem um atendimento mais rápido, mais eficiente e mais personalizado. Os profissionais de saúde passam a ter acesso a informação completa e integrada, evitando repetições de exames e melhorando a coordenação dos cuidados."

A digitalização também beneficia os profissionais, considerou Daniel Alves, já que liberta tempo que pode ser usado a cuidar das pessoas.

"No fundo, o que procuramos é equilíbrio, a simbiose entre o físico e o digital, entre inovação e segurança", afirmou o responsável. "É essa dualidade que garante resiliência, continuidade e confiança, os pilares de uma verdadeira Saúde 5.0."

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