Dentro de dois ou três anos, estaremos num mundo verdadeiramente hiperconectado. É essa a previsão do futurista Andrew Grill, um dos oradores da Vodafone Business Conference, para quem a chave desta nova era é a forma como vamos usar a tecnologia de que já dispomos.
“Estamos à beira da hiperconectividade”, disse, em entrevista ao Dinheiro Vivo nos bastidores da conferência. “Do que é que precisamos para isso? De IoT, 5G sempre ligado, conectividade por satélite, cloud, IA e edge computing. Os ingredientes já existem, agora é uma questão de imaginação.”
Grill descreveu uma série de casos de utilização interessantes na sua apresentação em áreas como transporte, saúde, retalho e cidades inteligentes. “Essas indústrias estão famintas para servir melhor os seus clientes e cidadãos”, frisou.
E uma das formas como isso irá acontecer, no futuro, passa pela robótica. É a área em que o futurista está mais interessado neste momento e que acredita que será revolucionária depois da normalização das aplicações de Inteligência Artificial.
“Essa será a próxima fronteira, quando em casa e no trabalho tivermos assistentes a fazer as coisas que não gostamos de fazer”, indicou. “Quem gosta de lavar roupa? Quem gosta de encher a máquina de lavar loiça? Imagine se um robô puder fazer isso por nós”, exemplificou. “Do que precisamos para isso é hiperconectividade, para que o robô funcione onde quer que precisemos que opere.”
Andrew Grill, conhecido como “actionable futurist” (futurista acionável), antecipa que as empresas vão reinventar os seus negócios em grande parte por causa da IA, que vai requerer conectividade constante. “A IA não funciona sozinha. Pode operar no telefone, mas muitas vezes precisa de se ligar a sistemas maiores na nuvem”, salientou. “Como é que fazemos isso? Hiperconectividade”, continuou.
Todo o entusiasmo em torno da IA, considerou, vai assentar quando a tecnologia se massificar – e é aí que a questão de garantir conectividade constante ocupará o centro das preocupações.
Grill indicou que o grande sinal do mundo hiperconectado será a invisibilidade dos detalhes. Ou seja, a pessoa não terá de se preocupar com mudança de cartões móveis quando viaja para outro país. Não terá de pensar se tem de ativar um eSIM. “A minha visão é que não teremos de pensar em conectividade. Ela vai simplesmente funcionar. Estará sempre ligada, não terá de se preocupar com definições ou mudanças.”
Isso será possível, em parte, devido aos cartões móveis digitais (eSIM) e à sua evolução, a que Andrew Grill chamou de iSIM, ou SIM integrados.
“Estarão enterrados dentro do microfone, dentro do dispositivo que levamos connosco, sempre a funcionar e conectados”, exemplificou.
Com a procura em alta, o especialista disse que os governos podem ajudar a retirar a fricção de modo a permitir que toda a gente se consiga ligar facilmente a qualquer momento. Essa fricção por vezes pode ser regulação, noutras questões técnicas. “Acho que vamos ver o mercado a dizer que quer estar conectado. Removam as barreiras, abram as comportas e deixem-nos ligar-nos onde precisamos.”
Curiosamente, um dos trabalhos de casa que Grill deixou à audiência da Vodafone Business Conference pareceu contraintuitivo: desconectem-se por um dia. “Significa que não vão receber mensagens nem emails. Vai tornar muito claro como temos a expectativa de estarmos hiperconectados”, explicou.
A outra coisa a que apelou é que as pessoas sejam mais curiosas digitalmente, o que é o tema do seu livro e podcast, “Digitally Curious.”
“Vão e comprem um dispositivo IoT. Vão e conectem alguma coisa. E depois vejam o poder não apenas de ter a informação na ponta dos dedos, mas tê-la em qualquer lado.”












