22-01-2026

Combinação de IA e IoT vai automatizar processos caóticos nas empresas

“A IA para IoT muda o jogo porque vai criar uma nova estirpe de casos de utilização IoT e, mais importante ainda, novos tipos de negócios digitais”, afirmou Phil Skipper, diretor de estratégia de Internet das Coisas da Vodafone, durante a sétima edição da Vodafone Business Conference. O responsável descreveu aquilo a que a indústria chama de “visão-como-sensor”, em que vídeo de baixo custo é combinado com Inteligência Artificial e IoT. 

“De repente, criámos um dispositivo que consegue identificar, sensorizar e medir várias coisas”, apontou. “Vemos isto agora no que chamamos de IoT caótica.” 

Skipper aprofundou a ideia em entrevista nos bastidores, explicando que a combinação de IA com IoT permitirá trazer ordem a sistemas que são, por natureza, caóticos. 

“Para muitas empresas, é muito difícil gerir a sua cadeia de fornecimento”, disse Phil Skipper ao Dinheiro Vivo. O especialista exemplificou com uma empresa no negócio da reciclagem que nunca sabe o que vai aparecer na correia transportadora – pode ser uma garrafa, uma lata ou outro objeto para reciclar. 

“Com IA visual e visão como sensor, é possível usar a combinação de vídeo muito poderoso, mas de baixo custo com IoT para poder identificar, medir e separar estes objetos”, descreveu. “É possível pegar em processos caóticos e torná-los muito mais padronizados. Se pode padronizá-los, pode automatizá-los”, continuou. “Estas empresas que têm requisitos de IoT caótica vão ser das primeiras a abraçar realmente o mundo hiperconectado.” 

Esse futuro, que foi o tema da conferência, virá brevemente, na visão de Phil Skipper. “O que vamos ver nos próximos dois anos é mais aplicações, mais IoT e mais conectividade. Por isso, penso que o mundo hiperconectado está literalmente ao virar da esquina.” 

O executivo considerou que as pequenas e médias empresas, ao contrário do que se possa pensar, são as que têm mais a ganhar com esta nova era porque poderão ter um desempenho superior em relação aos seus recursos. “Já não vão estar limitadas pela geografia nem pela necessidade de dar suporte no terreno”, salientou. “Tudo isso será automatizado e viabilizado pelo mundo hiperconectado.” Na sua visão, as PME “têm muito mais a ganhar” com a hiperconectividade nos próximos três a quatro anos. 

Phil Skipper deu vários exemplos de negócios que se transformaram na sua apresentação, incluindo na saúde e recolha de resíduos, e falou de como  as empresas podem não só adotar modelos de negócio diferentes como criar novas fontes de rendimento. “Vamos ver mais empresas a digitalizarem-se em torno da IoT, mas também novos tipos de casos de utilização.” 

Um deles é o que Skipper apelidou de “fábrica no terreno” e consiste na disponibilização de produtos aos clientes finais que ainda não estão totalmente terminados. A ideia é enviar o produto e ver como o cliente o utiliza para fazer atualizações e adaptá-lo àquela forma específica de o usar. “Podem fazer um dispositivo que é personalizado para cada cliente”, considerou o responsável. “Podem usar isso para melhorar o seu próprio negócio e processos de fabrico.” 

Outro exemplo de novo negócio que surgiu recentemente é o dos pirilampos luminosos conectados que vão substituir os triângulos de emergência: trata-se de um dispositivo completamente novo, que só existe por haver agora conectividade constante. 

Considerando que há uma diferença ténue entre “altamente conectados” e “hiperconectados”, o líder de IoT na Vodafone disse que um dos seus objetivos é simplificar a adoção destas tecnologias e deixar a complexidade da sua combinação por baixo do capô. 

“O que quero é garantir que os nossos clientes entrem neste mundo hiperconectado da forma mais simples possível para que possam construir os seus negócios hiperconectados, escalá-los mais rapidamente, inovar com maior agilidade e perceber realmente os benefícios que advêm de um ambiente hiperconectado.”

 

Artigos relacionados

Startup portuguesa FiberSight deteta fugas de água e incêndios através de fibra ótica

Equipa criou um sistema que usa a infraestrutura de fibras para monitorizar desvios em parâmetros importantes. 

“Se uma PME estiver sob ataque pode não ter margem para recuperar”

Pedro Soares, diretor nacional de segurança da Microsoft, defende que a cibersegurança deve ser encarada como uma questão de sobrevivência pelas empresas portuguesas e cita um estudo recente publicado pela empresa que mostra números relevantes: Portugal é agora o 12º país mais atacado na Europa.

“Todas as indústrias têm o potencial de beneficiar de um mundo hiperconectado”

Phil Skipper, responsável da estratégia IoT na Vodafone, será um dos oradores da Vodafone Business Conference, marcada para 27 de novembro em Lisboa.

Empresas devem ver cibersegurança como “uma questão de sobrevivência”

Novo relatório da Microsoft coloca Portugal no 12º lugar entre os países europeus mais atacados no primeiro semestre de 2025.

Deloitte analisa mudanças na experiência do cliente, trabalho e segurança no mundo hiperconectado

As tecnologias que permitem a hiperconectividade têm impactos profundos na economia e vão levar empresas a transformar os seus negócio. Pedro Tavares, ‘partner’ e líder da Deloitte para a indústria TMT e Cyber, explica como.

Mundo hiperconectado vai criar novos negócios e exigir transformação de processos

Na 7ª edição da Vodafone Business Conference, que decorreu em Lisboa a 27 de novembro, oradores nacionais e internacionais falaram das oportunidades e desafios trazidos pela hiperconectividade.

Startup SafetyScope usa IA e visão por computador para tornar videovigilância mais eficiente

Numa era em que há câmaras de videovigilância por todo o lado, a startup portuguesa SafetyScope criou uma forma de as tornar mais eficientes e auxiliar os vigilantes humanos.

“O ‘boom’ da IA vai exigir conectividade porque quereremos ter acesso em qualquer parte do mundo”

O futurista Andrew Grill, autor do livro “Digitally Curious”, é um dos oradores da 7ª edição da Vodafone Business Conference e vai falar de como a hiperconectividade vai impulsionar os negócios.