“A IA para IoT muda o jogo porque vai criar uma nova estirpe de casos de utilização IoT e, mais importante ainda, novos tipos de negócios digitais”, afirmou Phil Skipper, diretor de estratégia de Internet das Coisas da Vodafone, durante a sétima edição da Vodafone Business Conference. O responsável descreveu aquilo a que a indústria chama de “visão-como-sensor”, em que vídeo de baixo custo é combinado com Inteligência Artificial e IoT.
“De repente, criámos um dispositivo que consegue identificar, sensorizar e medir várias coisas”, apontou. “Vemos isto agora no que chamamos de IoT caótica.”
Skipper aprofundou a ideia em entrevista nos bastidores, explicando que a combinação de IA com IoT permitirá trazer ordem a sistemas que são, por natureza, caóticos.
“Para muitas empresas, é muito difícil gerir a sua cadeia de fornecimento”, disse Phil Skipper ao Dinheiro Vivo. O especialista exemplificou com uma empresa no negócio da reciclagem que nunca sabe o que vai aparecer na correia transportadora – pode ser uma garrafa, uma lata ou outro objeto para reciclar.
“Com IA visual e visão como sensor, é possível usar a combinação de vídeo muito poderoso, mas de baixo custo com IoT para poder identificar, medir e separar estes objetos”, descreveu. “É possível pegar em processos caóticos e torná-los muito mais padronizados. Se pode padronizá-los, pode automatizá-los”, continuou. “Estas empresas que têm requisitos de IoT caótica vão ser das primeiras a abraçar realmente o mundo hiperconectado.”
Esse futuro, que foi o tema da conferência, virá brevemente, na visão de Phil Skipper. “O que vamos ver nos próximos dois anos é mais aplicações, mais IoT e mais conectividade. Por isso, penso que o mundo hiperconectado está literalmente ao virar da esquina.”
O executivo considerou que as pequenas e médias empresas, ao contrário do que se possa pensar, são as que têm mais a ganhar com esta nova era porque poderão ter um desempenho superior em relação aos seus recursos. “Já não vão estar limitadas pela geografia nem pela necessidade de dar suporte no terreno”, salientou. “Tudo isso será automatizado e viabilizado pelo mundo hiperconectado.” Na sua visão, as PME “têm muito mais a ganhar” com a hiperconectividade nos próximos três a quatro anos.
Phil Skipper deu vários exemplos de negócios que se transformaram na sua apresentação, incluindo na saúde e recolha de resíduos, e falou de como as empresas podem não só adotar modelos de negócio diferentes como criar novas fontes de rendimento. “Vamos ver mais empresas a digitalizarem-se em torno da IoT, mas também novos tipos de casos de utilização.”
Um deles é o que Skipper apelidou de “fábrica no terreno” e consiste na disponibilização de produtos aos clientes finais que ainda não estão totalmente terminados. A ideia é enviar o produto e ver como o cliente o utiliza para fazer atualizações e adaptá-lo àquela forma específica de o usar. “Podem fazer um dispositivo que é personalizado para cada cliente”, considerou o responsável. “Podem usar isso para melhorar o seu próprio negócio e processos de fabrico.”
Outro exemplo de novo negócio que surgiu recentemente é o dos pirilampos luminosos conectados que vão substituir os triângulos de emergência: trata-se de um dispositivo completamente novo, que só existe por haver agora conectividade constante.
Considerando que há uma diferença ténue entre “altamente conectados” e “hiperconectados”, o líder de IoT na Vodafone disse que um dos seus objetivos é simplificar a adoção destas tecnologias e deixar a complexidade da sua combinação por baixo do capô.
“O que quero é garantir que os nossos clientes entrem neste mundo hiperconectado da forma mais simples possível para que possam construir os seus negócios hiperconectados, escalá-los mais rapidamente, inovar com maior agilidade e perceber realmente os benefícios que advêm de um ambiente hiperconectado.”












